Eu não estudo turismo. Estudo como os territórios se transformam.

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Durante muito tempo, quando alguém me perguntava com o que eu trabalhava, eu respondia sem hesitar:

— Eu estudo turismo.

Era uma resposta correta.

Mas hoje ela já não me representa.

Ao longo dos últimos anos, percebi que o turismo nunca foi o verdadeiro centro das minhas perguntas.

O que realmente me move é outra inquietação.

O que faz um território se transformar?

Essa pergunta passou a me acompanhar em cada viagem, em cada reunião, em cada conversa e em cada projeto do qual participei.

Foi ela que mudou completamente a forma como passei a enxergar o meu trabalho.

Não viajo apenas para conhecer destinos.

Viajo para compreender pessoas.

Não observo apenas atrativos turísticos.

Observo relações.

Não procuro apenas boas práticas.

Procuro padrões.

E, curiosamente, quase sempre volto para casa com mais perguntas do que respostas.

Durante muito tempo isso me incomodou.

Hoje entendo que esse talvez seja o verdadeiro papel de quem pesquisa.

As melhores respostas dificilmente aparecem diante de uma tela.

Elas surgem quando caminhamos por uma comunidade.

Quando ouvimos uma liderança local.

Quando percebemos um detalhe que ninguém colocou em um relatório.

Foi justamente nesses momentos que comecei a perceber algo que antes passava despercebido.

Sempre falávamos sobre o turismo.

Mas quase nunca falávamos sobre o território.

E talvez esse seja o motivo de tantas estratégias produzirem resultados apenas temporários.

Quando o turista se torna o centro de todas as decisões, o território passa a desempenhar um papel secundário.

Mas um território não existe para receber visitantes.

Ele existe, antes de tudo, para quem vive nele.

Foi nesse momento que deixei de olhar para o turismo como um objetivo.

Passei a enxergá-lo como uma estratégia.

Uma estratégia capaz de fortalecer identidades.

Gerar oportunidades.

Valorizar culturas.

Criar conexões.

E contribuir para que o desenvolvimento permaneça mesmo depois que o visitante vai embora.

Foi dessa mudança de perspectiva que nasceu o Turismo Fora da Caixa.

Não como um projeto para falar de destinos.

Mas como um espaço para investigar como os territórios podem se tornar protagonistas do próprio desenvolvimento.

Ainda estou pesquisando.

Ainda estou aprendendo.

Ainda volto de muitas viagens com mais dúvidas do que certezas.

E talvez isso nunca mude.

Porque, quanto mais observo os territórios, mais percebo que eles sempre têm algo novo para ensinar.

E talvez a pergunta que realmente importe não seja:

Como atrair mais turistas?

Talvez a pergunta seja outra.

Se o turismo é apenas uma ferramenta, que tipo de território estamos tentando construir?

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